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25
Ago18

12# uma pobre história de amor

por @dianacarvalhopereira

Histórias de amor para pobres - porque aqui o dinheiro não entra, não faz diferença...

(Lisboa 13h)

 

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"Não me envergonho, de viver, este sonho. Porque nele eu posso voar..."

Tocadores de harpa e nuvens brancas e fofas. Será assim o paraíso? Será que é neste sítio que acaba o comum dos mortais? Ou será este local restrito aos que se "portaram bem"? Será que o Cais tem mesmo a Barca do Inferno, sendo o anjo e o diabo os porteiros? Será que independentemente do que fizermos acabaremos todos como matéria orgânica para renovar o ciclo da matéria?

Haverá uma coroa circular a separar o nosso globo do universo paralelo para onde vamos de seguida? Será que o amor da nossa vida está nesse outro universo? Será que viveu há 70 anos e continua à nossa espera? Quiçá seja muito mais do que sonhamos e um dia, finalmente o encontraremos. Talvez mais bonito que o Brad Pitt e mais jeitoso do que o  magic Mike. E se porventura ele estivesse na terra, reencarnado uma outra personagem da vida mas com o mesmo cerne? Apaixonar-me-ia por uma mulher? Por um velho? Por um cão? Por um assassino? Pelo Osama Bin Laden? Na verdade não sabemos aquilo que está no cerne de cada um de nós e se numa outra vida já não fomos almas gémeas daquela pessoa que hoje reencarna numa outra. Passamos os dias  (e também algumas noites) a julgar as pessoas pela aparência, pelo género, pelas raças, pelos preconceitos. Mas esquecemo-nos do principal. Aquilo que faz das pessoas pessoas: a personalidade, a razão, a inteligência, os valores, os princípios, os vícios, os sentimentos - a alma.


Porque os animais podem ser mais ou menos bem parecidos e mais ou menos atléticos. Qualquer animal pode ser óptimo parceiro sexual, um must. Mas nenhum deles se faz notar pela quantidade de recursos expressivos que usa no seu dia-a-dia e pela qualidade das piadas oportunas que usa durante uma conversa. Nenhum deles pode contar as suas experiências de vida e o que retirou delas. O que os melhorou, os que os marcou, o que os reconstruiu como pessoas diferentes. Isso é a beleza de sermos humanos. Isso e o amor. Os animais conseguem sentir atrações sexuais enormes por um companheiro. Mas não conseguem sentir amor.

 

O amor não é só fisico ou só mente. O amor é uma junção dos dois. É tão forte que nos deixa (ou devia deixar) fiéis e psicologicamente comprometidos mesmo quando oficialmente não estamos. É tão forte que não nos deixa olhar para mais ninguém da mesma maneira. É forte como se aquela pessoa fosse por vezes mais importante que nós próprios. Mesmo que não deva ser por completo, uma vez que acima de tudo devemos gostar de nós. Mas um amor incondicional. Que vem de uma paixão incondicional que nos deixa derretidos ou até deliciados com o charme de alguém. Que nos deixa sem fôlego. Que nos enche de orgulho. Que nos dá força para acordar todos os dias e enfrentar até os piores. Um amor que pode não ser de sempre mas que com certeza é para sempre. Que é mais forte do que a distância, o tempo e todas as outras dimensões.

 

O pinguim imperador fica durante meses sem ver a companheira, choca os ovos por ela e quando o grupo das fêmeas regressa ele sabe sempre qual é a "dele". A que lhe pertence. Pelo cheiro, pelo aspeto, pelo canto. E nós? Saberemos quem nos pertence? Ou será tudo uma questão de tempo até quem nos pertence ser substituído por alguém que nos pertence ainda mais? O amor é um jogo difícil de jogar. Por vezes tão difícil que se revela desgastante psicologicamente. Mais vale estar solteiro e aproveitar a vida, dirão muitos. Mas o verdadeiro amor não te chateia, não complica, não te traz danos. O verdadeiro amor foi feito para completar a tua vida quando ela já está ser incrivel. Quando achas que não podes ter uma vida melhor. Chega esse amor e prova que pode ser bem melhor. Que pode ser quase um pequeno pedaço daquele paraíso que outrora falei. E quando a realidade superar os sonhos, o que faremos para aproveitar ao máximo a vida em conjunto? Fechando os olhos, seremos aconchegados velhinhos que se continuam a amar mesmo quando a qualidade de vida não for a melhor. E o amor é assim. Pelo menos para mim. Quando o bom físico for e quando chegarem as rugas, a flacidez, as escaras e as artroses.

 

Quando chegarmos ao fim, o sexo deixará de fazer parte como ato sexual. O sexo permanecerá como carinho, como cumplicidade, como memória de tudo aquilo o que outrora vivemos. E mesmo mesmo no fim, se já nem a mente funcionar direito e um dos elementos tiver que depender do outro, continua o amor, as memórias de uma vida e a vontade de continuarem juntos no próximo universo paralelo, novamente no exterior da coroa circular que nos rodeia.

 

O amor é assim. Pelo menos para mim.

(...)

 

(Porto - 13h45)
 



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