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14
Mar18

3# pobres reflexões acerca dos meus 22 invernos

por @dianacarvalhopereira

22 invernos... 

 

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     Na verdade estou a ficar velha (estamos todos) de idade mas penso que cada vez mais limpa em termos mentais e emocionais, por muito que amadureça e que a idade traga consigo as cicatrizes do que já vivi.

     O tempo passa depressa demais mas nunca deveria passar a ritmo em que não consigamos controlar o nosso próprio fado. E penso que essa sensação de controlo se consegue aprendendo com os erros, com as derrotas, com os momentos menos bons. E nunca é tarde para refletir acerca do que fizemos nas voltas ao sol que já demos. Muito embora esteja concentrada no presente, no aqui e agora, recordar também é viver. E por isso mesmo, aqui deixo 8 pobres reflexões sobre a minha última volta ao nosso astro e do que retirei de ensinamentos destes meus últimos 365 dias. 

     O meu "novo ano" só começa no meu dia, às 3 da manhã, uma vez que assim reza a certidão de nascimento. E "ano novo, vida nova"!

 

1 - Percebi que estarmos bem connosco é o primeiro passo para estarmos bem com os outros e que é possível mudar para melhor:

 

   Não adianta achar que consegues ser feliz com familiares e amigos enquanto não és feliz contigo. Costumo dizer que somos (ou deveríamos ser) a nossa melhor companhia. E a verdade é essa. Se não gostarmos daquilo que somos, daquilo em que nos tornamos, como vamos gostar de alguém ou ter alguém que goste verdadeiramente de nós? 

   Sempre ouvi dizer que a partir de uma determinada idade, após a construção das personalidades, as pessoas não mudam. Ou mudam para pior, depois de determinadas vivências. Ora nada mais incorreto, a meu ver. As pessoas moldam-se não só ao ambiente em que vivem e às circunstâncias da vida como também à força que têm para definir outro rumo quando o atual não as leva a bom Porto. E, assim sendo, o importante é nunca desistirmos de ter uma vida melhor (por muito que continuemos uns pobres fazendo pobrices no nosso cerne) e de sermos melhores pessoas que ontem e piores do que amanhã. Porque há sempre a possibilidade de nos reinventarmos se acreditarmos e não baixarmos os braços perante as dificuldades, por maiores que pareçam.

   No meu caso em concreto, cheguei a um ponto da minha vida em que não era feliz com a pessoa em que me estava a tornar e com o rumo que havia seguido. E por muito que a inércia teimasse em levar a melhor, chegou um dia em que os meu "tomates" foram mais fortes e deixei tudo para me poder reinventar e sair mais forte do que outrora. 

   Deixei um curso de medicina. Deixei uma cidade que em tempos tinha tomado e amado como minha. Deixei os meus pseudo-amigos de lá (aos verdadeiros, só de os ver todos os dias, porque esses não se vão com a distância e deram mais força a todo este meu processo de auto-reconstrução). Não deixei as memórias nem a saudade, tão característica desta cidade.

   Deixei tudo para poder voltar a ser a pessoa que me orgulho de ser hoje. A pessoa feliz, realizada e determinada que não tem medo de prosseguir os sonhos e tem as suas prioridades bem definidas.

   Não tenham medo de perder tempo a parar para semear, se essa paragem vos trouxer frutos. Não tenham medo que a vida passe depressa demais, se o vosso presente não é vivido em sua plenitude. 

   Penso que hoje, após muita meditação, posso dizer que deitei ao lixo todos os maus momentos lá e recordo apenas os bons. Posso dizer que por muito que tenha sentido "que o tempo acabou", a minha "primavera de flor adormecida" chegou e eu acordei. E se achava que havia "qualquer coisa que não volta, que voou", a vida ensinou-me que posso ter tudo aquilo que quero, se lutar por isso. E Coimbra não foi só "um rio, um ar" na minha vida, porque no Mondego ainda irei tomar banho mais vezes e o ar que respiramos, por muito que tenha variações na sua composição, ainda é todo o mesmo.

   E um dia, se regressar, regressarei reinventada, mais forte, mais limpa, digna da cidade de Pedro e Inês, digna da cidade que me deu tanto sem pedir nada em troca.

 

2 - Parei de achar que não tinha tempo para fazer as coisas que mais amo e que me realizam:

 

   Um pouco devido à exigência de estudar medicina noutra cidade, devido ao tempo excessivamente perdido em viagens e mudanças, fui deixando de me ter como prioridade, assim como as coisas que mais amo. Desde os 18 anos que moro sozinha (ou melhor, acompanhada por outros colegas) noutra cidade. As tarefas de casa e da faculdade eram as tiranas na minha vida e sobrava pouco tempo para ler, escrever, parar para meditar ou refletir sobre o mundo. A vida passava demasiado rápido, abria os olhos e havia um teste, fechava e quando abria de novo haviam malas para fazer, contas para pagar e pouco tempo (e dinheiro) para ser feliz. Porque por muito que possamos ser felizes com pouco, há que satisfazer as necessidades básicas, pagar as contas e ainda ter um minimo de dinheiro para nos mimarmos. Ou pelo menos, quando esse não existe, um minimo de tempo para nos colocarmos no centro do mundo e sermos felizes a fazer o que mais gostamos.

 Hoje em dia posso dizer que sou profundamente feliz por ter tempo para cozinhar com qualidade, para ler, escrever, arrumar, ir ao ginásio, correr, praticar outros desportos, aprender outras competências, estar com os meus amigos quando quero,  fazer projetos e bricolage, entre outras coisas que fui desvalorizando em detrimento do curso e da rotina.

   E posso ainda afirmar que esta mudança foi profundamente positiva a todos os níveis. Fazer o que mais gosto mostrou-me que a felicidade não vem só com o dinheiro e o poder. Vem principalmente com a liberdade. Liberdade de agir como queres, quando queres. Liberdade de poder voar o mais alto que conseguir sem ter medo da queda. Aqui, o "carpe diem" é quem comanda. E estar "no fluxo" é absolutamente delicioso.

 

3 - Percebi que existem pequenas coisas da vida que são capazes de te fazer bem mais feliz do que um "ferrari e iate":

 

   Basta ler o post anterior para perceber o meu ponto de vista. Por muito que muito boa gente continue a preferir "o ferrari e iate" eu sou extremamente feliz a preferir devolver roupa quando não tenho orçamento futuro para ela, a praticar exercício físico no meu ginásio de pobre ou a venerar o meu gato rafeiro que apelido de Príncipe Gato porque a meu ver todos nós somos príncipes/princesas quando fazemos alguém feliz.

   Quando tens dinheiro para comprar um ferrari ou um iate, o teu próximo objetivo vai ser comprar um melhor, não vai ser usufruir daquilo que tens. E nada mais errado. Ganância semeia ganância e o mundo é mais equilibrado quando somos apenas ambiciosos, tendo sonhos e estando cientes de que aproveitando o presente da melhor maneira nos motivamos para os alcançar.

 

4 - Fui genuína, sem medos de represálias e com confiança em mim:

 

   Não tive medo de lavar os dentes à porta do Norteshopping, quando a situação assim o exigiu. Não tive medo de reconhecer erros e pedir desculpa. Não tive medo de fazer chichi num beco quando ir à casa de banho parece difícil demais. Não tive medo de parecer ridícula se me estava efetivamente a divertir. Não tive medo que não gostassem do meu outfit do dia. Não tive medo que o meu date não me achasse bonita ao vivo. Não tive medo de ser eu. E isso é fulcral. 

   Gosto mais das pessoas quando elas são puras, são autênticas e não representam. Gosto mais das pessoas quando elas simplificam, sem jogos. Ser atriz ou ator na vida real dá trabalho e não compensa. Por isso, aconselho toda a gente a ser a melhor versão de si mas sem tentar ser alguém que não é. Simplificar traz felicidade.

 

5 - Dei mais valor às amizades, tendo atitudes mais amáveis mais vezes:

 

     Tenho usado os sábados como o dia do agradecimento: dar graças e mostrar afecto associado a pessoas que fazem a minha vida mais feliz. Ao início havia quem estranhasse e achasse que eu ando metida em algum ritual religioso. Nada disso. É o meu próprio ritual de meditação agradecer a quem me dá tanto por tão pouco e tentar dar mais um bocadinho em troca, com palavras amigas e sinceras que demonstram o meu afecto.

   Sei que palavras são apenas isso. Mas são palavras recheadas de amor e de carinho. Textos gratuitos que me enchem de alegria ao escrever e cujo intuito é encherem também de alegria quem os recebe.

   Para além deste ritual, tenho tentado estar mais vezes com os meus amigos e, na impossibilidade de estar mais vezes, tenho aproveitado melhor o pouco tempo em que estou com eles. Sem telemóveis, sem distrações, sem trazer para a conversa problemas do dia-a-dia que só incomodam. Concentrando-me na pessoa que tenho à minha frente, que adoro e que quero fazer tão feliz como ela me faz a mim, sem saber.

   Passei ainda a valorizar novas amizades, trocando até possíveis relacionamentos ou envolvimentos amorosos por amizades quando gosto efetivamente da personalidade de alguém. Costumo dizer que relações amorosas são passageiras, amigos são ou devem ser para a vida toda. Com isto não quero dizer que já não me acredito no "amor para a vida toda", porque na verdade continuo uma romântica incurável. Quero apenas realçar que esse amor para a vida toda é bem mais difícil de encontrar do que um amigo que nos complete. E assim sendo, de que vale perder tempo a tentar odds baixas se aquela pessoa pode dar um amigo incrível? Há que definir prioridades. E as minhas são as amizades. Valorizo, acima de tudo, as amizades. Até porque se um dia me aparecer um príncipe encantado ele deve, antes de tudo, ser meu amigo. Já passou há muito o tempo em que o príncipe beijava a princesa adormecida e se apaixonavam à primeira vista (ou ao primeiro beijo). Hoje em dia, é preciso muito mais do que isso. Vivo para muito mais do que aparências. Procuro pessoas que me completem, que me façam feliz e com quem possa ter relações saudáveis - os meus amigos. Não nego que se aparecer um amigo que me dê isso tudo e ainda me dê mais, possa ter uma relação incrível com ele. Mas sem deixar de ter como prioridades os meus amigos.

 

6 -  Não dei importância ao que as pessoas que efetivamente não me conhecem dizem/pensam: 

   A maturidade trouxe-me sapiência em algumas questões. Lembro-me que, quando era mais nova, tremia quando me faziam algum comentário negativo. Fosse quem fosse o interlocutor, eu sentia-me sempre mal quando me apontavam o dedo. Agora deixei de ter esse problema em parte. Porque só dedos apontados por pessoas que realmente gosto é que me conseguem afetar. Todos os outros são como poeiras do ar, eventualmente passarão por isso para quê dar importância? E mais do que isso, na realidade são inúteis. Porque só quem te conhece te pode e deve apontar o dedo se achar que estás errado. É isso que pressupõe a amizade e a lealdade.   Todos os outros comentários são provenientes de pessoas que não têm que fazer. Porque se tivessem não perdiam tempo a julgar e a criticar os outros. Eu própria já o fiz noutras ocasiões da minha vida e na verdade é porque não estava bem comigo mesma. E foi com esse pensamento que deixei de me importar. 

   Pessoas felizes fazem e querem as outras felizes. Não querem prejudicar ninguém e são ainda mais felizes se há entre-ajuda. 

 

7 - Comecei a pensar, acima de tudo, no presente:

 

   O meu "AQUI e AGORA" foi conseguido após muito treino e meditação. Aliás, ainda não foi conseguido, é todos os dias melhorado e aperfeiçoado. Aprendi a desligar-me do passado para poder ter um presente mais saudável e equilibrado.

   Viver no passado só nos traz dissabores assim como viver a pensar no amanhã faz- nos ser exageradamente calculistas e gananciosos. E voltamos ao mesmo.... É precisamente a pensar no fluxo do momento que somos mais felizes. A aproveitar o agora, a dar valor ao momento, às pessoas e a nós próprios.

   Eu já estive nos dois extremos, a condenar-me por erros do passado ou a stressar acerca do meu futuro, com medo de ser uma Zé ninguém. Entretanto, descobri que é a dar o meu melhor no presente que vou construir um passado que me orgulhe e um futuro promissor. E é com essa convicção que vivo a minha vida, AQUI e AGORA.

 

8 - iniciei-me no hygge e no lykke:

   Termos dinamarqueses relacionados com a felicidade que retiramos de coisas simples. Vai um pouco de encontro ao número 3 mas de um modo ligeiramente diferente. Quem já leu os livros do Meik Wiking sabe do que falo. Quem não leu, devia ler. Alcançar uma vida plena de satisfação é o lema dos dinamarqueses. E o que os faz ganhar o título de habitantes do país mais feliz do mundo. 

   Trata-se de "uma caça ao tesouro de uma vida boa e feliz. Desde o modo como usamos o nosso precioso tempo, a como nos relacionamos com os vizinhos e cozinhamos...". 

   O lykke aborda os seis elementos da felicidade: *convívio e proximidade*, *dinheiro*, *saúde e exercício fisico*, *liberdade*, *confiança no próximo* e *bondade e altruísmo*. A meu ver, sem ordem hierárquica associdada. 

   Como devem ter percebido, estes 6 elementos estiveram presentes ao longo de todo este post uma vez que já lhes dou bom uso. Já os coloco como essenciais para a minha felicidade e bem-estar. Já sou lykkeaholic e muito, muito feliz. Sejam felizes também 😊 Serei ainda mais feliz, com esse facto!

 



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