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Lunáticos,

 

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    Pois é, se em 2018 me apaixonei por stand up, em 2019 vi mais vezes espetáculos do que vi filmes no cinema, por exemplo. Gastei muito dinheiro mas foi bem investido, em inúmeros momentos de gargalhadas. Deixo aqui o meu top 10, que não deixa de ser super subjetivo, já que não tenho qualquer tipo de formação em escrita de humor/interpretação e avalio apenas pelo conteúdo/ nível de animosidade que senti ao ver os espetáculos e empatia que senti pelos artistas.

    Estarei eu a criar uma pseudo-profissão de críticos de humor? Talvez! E já faz falta! Já temos tantos humoristas, tantas noites de comédia e tantos solos, que faz falta quem fale sobre isso do ponto de vista crítico! 

 

10 - Guilherme Geirinhas, Modo Voo

    Eu não sou a maior fã de humor de observação. Deixo desde já este ponto prévio. No entanto, até gostei do solo, ainda que não sinta que saí de lá com a síndrome das bochechas doridas de tanto rir, ao contrário de outros. 

    Identifiquei-me muito com a história dele, que foi contando ao longo do espetáculo: era um miudo peculiar, hipocondríaco e engraçado (#metoo). Entrou para medicina porque tinha média (checkíssimo) mas entretanto enverdou pela publicidade (aí já foge da minha história...) mas pelo meio descobriu que sofre de ansiedade e já teve ataques de pânico (quem nunca?).

    Quero ver o Guilherme amadurecer e abordar temas mais adultos. Senti com ele o mesmo que senti com o Carlos - são business men, sabem o que estão a fazer e vivem bem da comédia (ao contrário de tantos e tantos que cá andam há tantos anos!) mas ainda escrevem muito dirigidos aos jovens (que no fundo, são os maiores seguidores deles, por terem saltado para a ribalta com os Bumerangue, no youtube, com sketches com humor essencialmente dirigido a jovens betos) e não usam referências culturais maduras - preferem morangos com açúcar (e eu gosto muito, ainda que prefira outras!).

GLOBO DE OURO: melhor música de entrada, só queria sorrir, do Slow J

NOTA FINAL: 6/10

 

9 - Carlos Coutinho Vilhena, Meta

    Fui vê-lo ao Sá da Bandeira com uma amiga. Olhava para ela durante o espetáculo e percebia que ela estava caídinha, assim como todas as miudas à nossa volta. O Carlos pode não ser o homem mais bonito à face da terra, mas tem um charme de beto que as encanta de uma maneira louca. E isso explica o porquê de 70% da sala serem miudas. E o porquê dos outros 30% serem namorados betos que até acham piada ao Carlos mas que não achariam se soubessem que as namoradas davam tudo para trocarem os namorados betos pelo beto-mor.

    Achei engraçado ele desvendar pelo meio que afinal não é assim tão beto e a dada altura da vida, deu-se com gunas e andou numa escola pública, ainda que tivesse que mentir para se sentir integrado num meio que não era o seu. 

    Também acho que o Carlos tem uma característica muito engraçada de que também padece Salvador, que é saber ter piada com coisas que se fosse outro comediante qualquer a dizer, não teria o mesmo impacto. Ele é muito visual. E acha piada a coisas banais que acabam por ter piada pelo gesticular e pelo modo interpretativo dele.

    Continuo a achar que ele é melhor como criador de conteúdos digitais, bem pensados e produzidos, do que no stand up. O resto da tua vida foi das melhores criações alguma vez lançadas no youtube português. Ele está de parabéns a cento e um porcento. E merecia mais reconhecimento, principalmente a nível de prémios. A bumba na fofinha ganhou o globo de ouro de personalidade do ano no digital. Para mim, era o Carlitos que o merecia. 

GLOBO DE OURO: melhor série youtube 2019

NOTA FINAL (DO SOLO!): 6,5/10

 

8 - Bruno Nogueira, Nuno Markl e Filipe Melo, Uma nêspera no cu - O musical

    Preciso de esclarecer, primeiramente, que foi dos espetáculos que vi mais cansada e que provavelmente é por isso que não está mais acima neste top. Gosto do conceito na nêspera no cu mas acho que por serem 3 pessoas a protagonizar, nenhum deles tem aquele brilho que vejo nos solos. De qualquer das formas, também vi bastante longe do palco, no coliseu, no 2ºbalcão. Acho que em espetáculos de comédia, estar longe tira a magia da percepção das expressões faciais.

    Também não posso dizer que gosto dos 3 da mesma maneira porque estaria a mentir. A minha atenção foge sempre para o Bruno, que acaba por não brilhar como poderia porque tem que deixar os outros falarem. Mas continua brilhante. Gostei muito, de qualquer das formas e estou ansiosa por vê-lo a solo, dia 14 de fevereiro, no altice arena (qual dia dos namorados, qual quê).

GLOBO DE OURO: a parte do musical, final, extremamente bem feita

NOTA FINAL: 7/10

 

7 - Salvador Martinha, Cabeça Ausente

Imagem relacionada

     O Salvador tem aquela característica natural que o faz ser genuinamente engraçado. E não falo da cara dele. Falo (ou neste caso, escrevo) do mesmo que falei acerca do Carlos. Ele consegue dizer coisas aparentemente normais com piada, não sei se pela forma, pela entoação ou se lhe sai naturalmente. É para mim um mistério. Mas continua a ter imenso valor. 

    Ele é, a meu ver, tal como Batáguas, um meio termo entre o humor de observação da nova geração misturado com algumas referências mais adultas, ainda que não faça sátira política.

    Eu gosto muito dele e sou suspeita por ser livre quase desde que ele lançou o podcast e acabar por conhecê-lo quase melhor do que a todos os outros, por ouvi-lo tantas e tantas horas. Ao mesmo tempo, acho que é o único rival de CCV nos conteúdos digitais que produz. O Sou menino para ir (nas duas temporadas) continua a ser um dos melhores tesouros do youtube português (e dos canais que tiveram o prazer de os transmitir!).

GLOBO DE OURO: o Podcast Ar livre, continua a ser o meu favorito!

NOTA FINAL (DO SOLO!): 7,5/10

 

6 - Diogo Batáguas, Quero lá saber

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    O Batáguas só não está mais à frente neste top porque levou excertos que eu já tinha ouvido no Levanta-te e Ri e não tiveram um impacto tão grande como teriam se eu nunca os tivesse ouvido. Houve muito síndrome de bochecha dorida, de qualquer forma. Ele sabe ter momentos de humor de observação assim como sabe ter outros de sátira política ou com temas mais adultos e boas referências pelo meio. Acho que acaba por ser bastante eclético e tem um público também imensamente variado. Se a grande maioria o segue pelos conteúdos que publica regularmente no youtube, também há muita malta que já o segue religiosamente desde que começou, por ser diferente dos putos mas também diferente dos velhos. É um meio termo engraçado.

    Como fiz anos à meia noite, ele ainda me deu os parabéns, tiramos esta foto e fomos todos beber um copo a seguir, com mais fãs. Foi giro e deu para perceber o quão humilde é este rapazinho da margem sul, que enche um Sá da Bandeira e vai beber copos com os fãs de seguida.

GLOBO DE OURO: #netodemouraécorno e os relatórios também são bons

NOTA FINAL: 8/10

 

5 - Manuel Cardoso, Farsa

    Acho que o texto do Manuel foi um dos melhores que tive o prazer de ouvir este ano. Boas referências, bons tempos, boa interpretação (ainda que pareça deprimido em 99% do tempo, tendo piada nessa condição). Não encheu o Hard Club com muita pena minha, porque ele merecia. O Manuel é um verdadeiro artista. Sabe escrever, sabe dizer as coisas com piada e sabe acima de tudo, deixar algum tipo de mensagem, que para mim é uma das missões mais dificeis de ver cumpridas no humor.

    Ao contrário do Carlos, do Guilherme ou do Pedro Teixeira da Mota, não tem legiões de fãs com 17 anos com vontade de lhe mamar na boca. E acho que o facto de não ser um beto tão fisicamente atraente como os anteriores, fá-lo investir mais naquilo que definitivamente tem de melhor - o intelecto. Eu fiquei fã a 101%. Acompanho-o regularmente nas redes sociais (sendo o twitter aquela em que brilha mais, com boas piadas, com referências de variadíssimos temas) e irei com certeza investir mais dinheiro nele, em futuros solos.

GLOBO DE OURO: texto e piadas do twitter

NOTA FINAL: 8/10

 

4 - Paulo Almeida, Ódio de estimação

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    Sou fã de humor negro. Acho que não há nada com que não se possa brincar um pouco, até porque acredito que fazer piadas sobre assuntos desconfortáveis diminui o grau de desconforto. O Paulo brinca sem ter medo de brincar. E eu gosto tanto dele e admiro-o tanto, por tudo isso. Fui ver o Paulo com um grande amigo e gostei imenso do solo, ainda que não o tivesse aproveitado nas melhores condições (tal como com Nêspera no Cu, fui muito cansada para lá porque não tinha dormido grande coisa na noite anterior). Ainda assim, o Paulo disponibilizou o solo no youtube agora em dezembro e tive oportunidade de o rever e de voltar a ficar com a síndrome da bochecha dorida com que fiquei ao vivo. 

    No solo, o Paulo falou da altura em que ultrapassou uma depressão (mais uma vez, a evidência científica quanto à percentagem de comediantes com distúrbios psiquiátricos não falha!) e no final do espetáculo, quando tiramos esta foto, falei-lhe da minha página do instagram de sensibilização para as doenças mentais e prevenção do estigma. Ele foi um querido e partilhou-a no seu instagram pessoal. Mais um amor de pessoa (ninguém diria pelas piadas, não é?), humilde e sem qualquer tipo de vedetismos, que se interessa genuínamente pelos fãs. Já comprei bilhetes para o Karma e aguardo ansiosamente por ver este artista no seu habitat natural novamente, o palco.

GLOBO DE OURO: o pseudo pedófilo mais querido que este país já teve. Os ódios de estimação também são giros.

NOTA FINAL: 8,5/10

 

3 - Rúben Branco, O Simpático

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    Estão a ver esta foto da minha refeição com esta personagem e estareis com certeza a pensar "claro... são amigos, 3ºlugar no top...". Mas estão redondamente enganados! Fiz amizade com ele depois de o ver atuar, precisamente porque fiquei fascinadíssima com o improviso do puto de Chelas. O Gúben Bgancu é um verdadeiro comediante, que não precisa de um texto decorado para fazer alguém rir. Acho que, por isso mesmo, o papel de host em espetáculos com vários comediantes fica-lhe a matar. E foi assim mesmo que o conheci, cerca de 7 meses antes de ir ao solo dele.

    O Rúben é conhecido principalmente pelos vídeos do youtube. Mas acreditem quando vos digo que ele é precisamente o contrário de CCV/Geirinhas - é mil vezes melhor ao vivo, no stand up, do que nos vídeos. Se o publico dele nos solos acaba por ser o mesmo (atraídos pelo youtube, malta jovem), ainda que provavelmente de classes económicas diferentes (este não é do Restelo, é de Chelas e não é visualmente tão mamável para pitas na puberdade), o Rúben consegue agradar a pessoas muito mais maduras nos shows que faz em bares mais acolhedores. Mais uma vez, é o rei do improviso.

    Se é verdade que hoje em dia é das minhas pessoas favoritas do mundo pela amizade que entretanto criamos? Não desminto. Mas isso não lhe tira o talento fora de série que tem e que vai continuar a demonstrar, com toda a certeza. O melhor da nova geração, a par de Manuel Cardoso, ainda que com um estilo muito diferente. 

     E se no solo fiquei com a síndrome de bochecha dorida, mesmo já conhecendo metade dos sets por atuações anteriores? SIM!!! (à Ronaldo!)

GLOBO DE OURO: improviso / melhor host de noites de comédia;

NOTA FINAL: 9/10

 

2 - Rui Cruz, Como todos fazem 

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    O Rui não tem apenas piada. É um artista, muito mais do que enterteiner e acima de tudo, um idiota com creatividade a mais e um ser humano super , mas super culto. Foi o primeiro solo que vi dele e fiquei apaixonada, desde o primeiro minuto. O Rui apostou em usar elementos audiovisuais, tal como o Sinel, sobre quem vou escrever de seguida (spoiiiiiler). Nota-se imenso que são amigos e que percebem, com inteligência, que os solos de stand up já não podem, dado o cérebro hiperativo de todos nós, fruto de inúmeros estímulos, ser apenas texto. Ele soube usar o apoio do suporte multimédia incrivelmente bem, sem deixar de ser fluído e de fazer  um storytelling fora de série. 

       O Rui é provavelmente o humorista mais culto que temos neste país. Dá força àquele meu pensamento de que um bom humorista tem também que ser um humanista. Tem que estudar muito para poder ter boas referências, em todas as áreas do saber. E só assim é que consegue ter um espetáculo que interesse a pessoas mais instruídas, como ele. O Rui não tem (nem quer ter) legiões de fãs da geração morangos com açúcar, que não vão entender as suas piadas com referências de Voltaire, por exemplo. O Rui é livre e escreve aquilo que quer mas escreve maravilhosamente bem aquilo que quer. E consegue ter tanto jeito para atuar como para escrever. Agora pensem...

    Eu fiquei com uma das maiores crush da vida por ele. E vocês também vão ficar. Por isso, assim que o virem a lançar coisas novas, apressem-se a garantir presença. Eu lá estarei de certeza, com baba nos cantos da boca, pela admiração com que lhe fiquei.

GLOBO DE OURO: melhor cartaz/ o mais culto/ o mais bêbado

NOTA FINAL: 9,5/10

 

1 - Rui Sinel de Cordes, Memento Mori

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    O Rui dispensa apresentações. O Rui escreve cada vez melhor, ao contrário do que os fãs do seu tempo áureo "demasiado negro" acham. O Rui nunca foi ou deixou de ser demasiado negro, até porque isso não existe. O Rui é, a cada momento, aquilo que a maturidade e as novas experiências de vida o fazem ser. Há muita gente que adora humor que idolatra Ricardo Araújo Pereira e os Gato Fedorento, como criadores. Eu idolatro mais este tipo, que foi quem me fez apaixonar pelo stand up e começar a gastar tanto dinheiro a consumir esta minha paixão. E é quem me faz, ano após ano, ficar com a maior síndrome bochecha dorida de todas. E não preciso de escrever muito mais, até porque a compra desta tshirtzinha já revela muito da estima que tenho por este caralho, que me autografou os tetos com um nigga ao lado, pronto para lhe dar uma naifada. Para o ano são 2 e eu já comprei para o primeiro, sem certeza se posso comprar para o segundo por compromissos erasmusáticos. Ainda assim, recomendo a mil e um porcento, por ser o melhor que temos neste país à beira mar plantado, na minha mui humilde opinião.

GLOBO DE OURO: melhor solo (e pior outfit, Deus me livre!)

NOTA FINAL: 10/10


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