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Meus queridos leitores,

Espero que não tenham morrido de saudades! Tenho mesmo que relatar a escapadela que fiz a Bilbao e a uma das grandes surpresas, até para mim, a ida a San Juan de Gaztelugatxe, em junho deste ano.

Esta viagem foi tudo menos planeada, embora desejada: desde que li "A Origem", do Dan Brown, que andava a sonhar com o Museu Guggenheim Bilbao, por ter sido palco de vários capítulos do livro e por me ter parecido incrível pelo que li. Já tinha falado com amigos sobre isto e inclusivamente estive quase para combinar mas havia sempre algo a impedir, incluindo não querer gastar muito dinheiro.

O preço normal de um bilhete de autocarro Porto-Bilbao ronda os 20€ (40€ ida e volta). Ironia do destino ou não, em meados do início de maio a flixbus decidiu brindar-me com promoções bombásticas por email, inclusivamente na viagem Porto-Bilbao. Fui ver, 3€! Por 6€ ida e volta podia finalmente ir ver o Museu! Nem pensei duas vezes! Comprei inclusivamente bilhetes para um acompanhante que depois não me pôde acompanhar, com muita pena minha (embora vocês saibam que eu gosto de viajar sozinha e não me importo nada porque sou a minha melhor companhia!).

Comprei tanto para a ida, como para a volta, viagens noturnas para poder aproveitar 2 dias inteiros em Bilbao. A viagem dura cerca de 9h de autocarro. Partida às 20h30 do Porto e chegada às 6h30 da manhã de Espanha (5h30 do Porto!). No caso da volta, partida às 23h40 de Bilbao e chegada às 7h da manhã ao Porto (bem mais rápido!).

Depois disso, fui ver a melhor opção de hosteis baratos e centrais. Encontrei 2 muito baratos: o Bilbao Central Hostel a 17€/noite e o Metro Hostel a 13€. Embora o segundo fosse 4€ mais barato, o primeiro tinha pequeno almoço incluído, o que é uma mais valia tendo em conta que em Espanha tudo é caro em termos de restauração! Reservei e paguei sem me chorar muito porque pelas fotos parecia limpo e confortável, com roupa de cama lavada incluída, que é o meu principal pré-requisito, e em quartos pequenos (4 pessoas), que é o segundo.

Custo total transporte e alojamento: 23€

 

Cheguei a Bilbao bem cedinho e como boa caminhante que sou, decidi explorar a cidade quando ainda não havia quase ninguém na rua. Fui até à praça do Sagrado Coração de Jesus, no final da Gran Via de Don Diego López de Haro , onde encontrei o Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, um conjunto escultural de 40 metros de altura, das quais 10 correspondem à imagem. A base é pedra calcária, a figura de Jesus é de bronze e o trabalho envolveu o arquitecto Pedro Muguruza e escultor Lorenzo Coullaut Valera, que a terminaram em 1927. Foi restaurado em 2004. 

(E vou deixar-vos uma fotografia tirada da internet porque a que lá tirei de madrugada ficou super tremida!)

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De seguida caminhei pelo Parque Casilda Iturrizar mas como estava super cansada (já que pouco dormi na viagem de autocarro) decidi ir para o Hostel ver se havia alguma sala de convívio onde  pudesse descansar um pouco. Óbvio que não desiludiu, tinha uma com uns sofás bem confortáveis onde dormi uma pequena sesta de 2 horinhas. Já tinha reservado online o Guggenheim para entrar às 10h da manhã de maneira que decidi colocar um alarme para as 9h e pouco (não sem antes verificar que demorava 15 minutos do hostel ao museu a pé, para evitar imprevistos!). O museu custa 13€ para adultos mas apenas 7€50 para estudantes de maneira que aproveitei o estatuto que a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra ainda me dá para poupar (ainda que para isso tenha que lá deixar mil euros todos os anos!).

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Guggenheim foi o filho de uns emigrantes suíços que enriqueceram com a exploração de minérios preciosos. Descobriu e apaixonou-se pela arte influenciado pela esposa e investiu em Museus para guardar as suas coleções. Neste momento são 3: em Bilbao, NY e Veneza. 

Embora esteja a escrever este texto vários meses depois de lá passar (falha minha na altura, entrei na época de exames e não me organizei de modo a escrever este post com tudo fresco na memória!), lembro-me que foi dos museus que mais gostei de visitar e que não desiludiu. 

A começar pela arquitectura do mesmo, que por si só já espanta pela beleza contemporânea, materiais e dimensões astronómicas. As curvas, arcos e mudanças repentinas de formatos geométricos estão por todo o lado e simbolizam a constante transformação a que estão sujeitas as cidades.

No interior conheci a incrível obra de Keith Haring, da qual fiquei automaticamente fã. Haring foi um artista e ativista social, cujo trabalho reflete o espírito da sua geração e cultura pop em NY, na década de 80. Os temas do nascimento, morte, amor, sexo e guerra, são recorrentes nas suas obras. Adorei o estilo artístico em si e saber tantas coisas acerca da vida e obra dele.

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Embora o conteúdo "ideológico" elaborado por Haring fosse premeditado, o processo criativo era estritamente intuitivo. Não havia esboço, não havia preparação preliminar e ele começava e terminava sem preparação. 

Chegou inclusivamente a pintar uma parte do muro de Berlim. Infelizmente morreu de SIDA em 1990. 

Gostei tanto dele e do trabalho dele que tentei imitar o estilo e o processo criativo umas semanas depois, em forma de tributo, enquanto me preparava para exames dominada pela ansiedade. Deixo aqui o resultado final.

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Para além de Keith, descobri e reencontrei outros tantos artistas. Destaco Lucio Fontana pela simplicidade e Jenny Holzer por ser outra artista/ativista da mesma época de Haring que espalhou textos sobre variadíssimos assuntos pelas ruas de NY, textos esses que foram recolhidos e mostrados na exposição sobre a sua obra.

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Jenny.jpg

À entrada há uma estrutura de 12 metros que é um cão de flores, paragem obrigatória para fotos. Caí no cliché. Não sem antes perceber a complexidade deste Puppy. Aparentemente as flores são naturais e irrigadas todos os dias por uma estrutura interna complexa. São trocadas duas vezes por ano pela módica quantia de 100 mil euros, por cerca de 20 jardineiros que demoram 10 dias.

Di e o cão.jpg

Para além do cão existem outras estruturas de grandes dimensões que adornam o exterior do edifício, entre elas a famosa aranha e as tulipas. 

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Como isto não é suposto ser um post apenas sobre o museu não vou revelar muito mais, deixando-vos com a vontade de ir lá espreitarem por vocês mesmos! Vale a pena!

Custo até então: 23 + 7,5 = 30,5€

 

Saí de lá por volta das 15h mas decidi caminhar um pouco junto ao rio até decidir onde almoçar tardiamente. A zona envolvente é incrível e fez-me apaixonar instantaneamente por esta parte da cidade. Deixo-vos umas quantas fotos para perceberem.

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Parei num restaurante chamado Haven, no lado oposto do rio para almoçar/lanchar uns pintxos (sandes e empadas com coisas variadas, prato típico desta zona de Espanha!) e provar a bebida típica deles, kalimotxo (que no fundo é apenas vinho tinto com coca cola mas sabe super bem e nunca me passou pela cabeça que fosse uma combinação tão boa!). Não tirei foto!

Paguei cerca de 8€ pelo almoço o que até foi em conta tendo em conta esta zona de Espanha.

Custo atualizado: 30,5 + 8 = 38,5€

 

De seguida decidi caminhar até ao funicular de Artxanda, que me levou até ao parque e miradouro homónimos, com vistas incríveis sobre a cidade e a inspirar uma tranquilidade deliciosa que me deu vontade de meditar e ler, atos que bem consumei de seguida. Depois explorei um pouco as redondezas, muito mais rurais do que o centro da cidade.

O funicular custou (salvo erro da minha memória) cerca de 3,5€ ida e volta.

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Depois de voltar a descer à cidade pelo funicular, decidi ir comprar o meu jantar a um supermercado e ir para o Hostel descansar uma vez que no dia seguinte tinha que acordar bem cedo. Comprei uma paella de supermercado que não se saiu nada má e custou apenas 2,5€! Uma cidra e uma sobremesa para acompanhar custaram mais 3€.

Custo atualizado: 38,5 + 3,5 + 5,5 = 47,5€

Como este post já está enorme, vou reservar a descrição do segundo dia para outro. Espero que tenham gostado! 

 

 

 

 

 


1 comentário

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Dylan 28.10.2019

Muito bom, viagens boas e baratas como eu gosto.;)

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