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28
Jan20

42# - devaneios sobre felicidade

por @dianacarvalhopereira

Lunáticos,

 

Não venho com este post dar numa de gratíssima pela vida e pela pessoa que sou, deixo isso para o Gustavo Santos. Mas hoje acordei feliz como já não acordava há muito.

Lembram-se do post em que falei sobre o amor? Então, parece que o afastamento me fez incrivelmente bem, porque pude focar-me no que mais amo sem estar constantemente preocupada com a atenção de alguém. E agora estou tão profundamente bem resolvida que não me quero voltar a semi-apaixonar platónicamente tão cedo.

(...)

Acho que nunca vos falei aqui no blogue sobre a minha página de sensibilização para a saúde mental, a The Pineapple Mind, apesar de já a ter há aproximadamente 10 meses. Pois é, nunca achei que a página pudesse crescer tanto e ajudar tanta gente. Recebo diariamente inúmeras mensagens de agradecimento e de pedidos de ajuda, a que tento responder com todo o meu empenho e dedicação. E sentir-me útil é das melhores coisas da vida, mesmo que por vezes tenha que lidar com histórias bem mais complicadas do que a minha.

(...)

Costumo dizer que o saldo da depressão foi positivo, porque retirei muito mais coisas boas da depressão do que más. Em boa verdade, sinto que me tornei uma pessoa muito mais completa e interessante. Sinto que tenho uma história para contar que me diferencia. Sinto que tenho ferramentas para lidar muito melhor com quem precisa da minha ajuda. Muito embora me sinta hoje uma Diana completamente diferente da que era no auge da depressão (sem energia, sem vontade de viver, sem paixão, sem foco, sem amor), recordo essa fase como uma das maiores lições de sobrevivência e coragem da minha vida. Naquela altura, os meus neuroquímicos desregulados queriam fazer-me acreditar que eu não era útil nesta vida. Faziam-me acreditar que ninguém gostava de mim e que nunca tinha feito algo minimamente útil. E por confiar neles, tinha vontade de morrer. E parece parvo uma miuda que na altura tinha 21 anos, ter vontade de morrer, "com tanta vida pela frente". Mas a verdade é que não era eu que comandava. Era a minha falta de serotonina, adrenalina e dopamina, a comandarem os meus pensamentos e emoções. Sou tão grata por perceber isso tudo, hoje em dia. No futuro, se alguma vez elas decidirem voltar a brincar comigo, eu vou estar mais forte e não vou deixar que dominem. E esta inteligência emocional e controlo de emoções e pensamentos veio com muita meditação e bloqueio de ANTs (Automatic negative thoughts). Temos que ser mais fortes do que a química. Porque também somos física. E beleza. E arte. E podemos vir a ser mil outras coisas, desde que estejamos motivados para tal.

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Hoje acordei bem disposta, já tinha dito? A página, o podcast, o blogue. Meios que me obrigam a estimular a criatividade e a olhar para a vida com olhos de artista. Adoro a medicina, adoro a psiquiatria, adoro a arte humana. Mas sinto que muitas vezes, sou reprimida por um curso em que me obrigam a ter um pensamento exageradamente científico. E adoro todos estes mecanismos de escape. E sou tão feliz a perceber que o faço sem segundos interesses. Só pelo amor que tudo isto me dá e pela vontade de inspirar e ajudar os outros (mesmo fora da medicina propriamente dita).

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Ontem o sapo partilhou o meu texto sobre os melhores espetáculos de stand-up que vi em 2019. Fiquei feliz por ter algum reconhecimento por parte desta plataforma que alberga o meu pequeno mundo da escrita. Só espero que não vão ler os meus posts nos meus blogues privados. Escrevo coisas exageradamente pessoais porque me esqueço que existem pessoas por trás da plataforma. Não me achem louca por escrever cartas de amor ao George Harrison, por favor!

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Ontem também fui adicionada a um grupo de pessoas no instagram com um interesse em comum. Achei meio estranho mas diverti-me com eles quase até adormecer. Tenho tanta esperança no mundo e nas pessoas. Acho que há por aí tanta gente incrível que não conheço! E é por isso que tento dar o benefício da dúvida a toda a gente. Acreditem que às vezes, há surpresas.

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Tenho gostado tanto de gravar os episódios do podcast. São momentos indescritíveis com pessoas incríveis, independentemente de estarem a ser gravados. A partilha de intimidade e vulnerabilidade é de algum modo terapêutica. Estou deveras apaixonada por esta terapia. Para quem ainda não ouviu, é dificil explicar. Mas sinto que me está a fazer crescer e a ganhar todo um auto-conhecimento. É delicioso.

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Hoje e amanhã tirei dois dias de folga só para escrever. Já meti na cabeça que vou lançar um livro em maio, e tenho que cumprir. Podia ter pegado no romance mas ainda não é desta que fiquei iluminada e tenho vontade de o acabar. Peguei num projeto que já vai a meio e que será com certeza um sucesso. Não porque sou eu a escrever mas pela riqueza em conteúdo que alberga. Estou apaixonada por ele a níveis estratosféricos. Sem palavras.

(...)

Obrigada, George Harrison, por te teres afastado. Obrigada por me recordares que a felicidade deve estar em nós mesmos e não no reconhecimento externo e aceitação do outro. Obrigada por me desafiares a ser melhor. Obrigada por me recordares que posso ser melhor. Obrigada por, sem saberes, fazeres isso tudo, Mesmo que já não esteja semi apaixonada por ti da mesma maneira, estou eternamente grata por esta fase da vida que me proporcionaste, ainda que indiretamente.

(...)

Já vos disse que acordei bem disposta?

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