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01
Ago19

#28 - pobre a executar, excelente a idealizar

por @dianacarvalhopereira

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  Às vezes dou-me conta que a minha vida raramente segue um percurso orientativo lógico. Isto acontece, na grande maioria das vezes, por minha vontade.

   Sinto-me muitas vezes múltipla e muitas vezes prefiro arriscar e idealizar a toda a hora. Sonho muitas horas acordada enquanto perco tempo em que poderia estar a executar. E talvez seja por isso que gosto tanto de divagar, de me questionar, de filosofar, de escrever e de conversar.

   Fui sempre um tudo mal conseguido por opção. Fui sempre "boa menina" mas ao mesmo tempo, rebelde e divertida. Fui sempre "boa aluna" mas ao mesmo tempo, pouco estudiosa e aluada. Fui sempre "bom partido" mas sempre demasiado independente para conseguir fixar-me com alguém e demasiado amante da minha liberdade. Fui sempre "boa amiga" para muitas pessoas mas verdadeiramente amiga de poucos, apenas dos que me sinto 100% à vontade, como se de família se tratasse. Fui sempre "o exemplo" em muitos aspetos enquanto ia causando alguns estragos pelo caminho, porque desde pequena ouço dizer que "meninas bem comportadas não fazem história".

   Foi sempre assim que vivi e me senti bem, neste misto entre ser relativamente boa em quase tudo mas não querer nem ambicionar de todo, a perfeição. Já dizia Fernando Pessoa que "adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos se a tivéssemos. O perfeito é o desumano porque o humano é imperfeito."

   Eu sou grata por todas as imperfeições e sou a primeira a conspirar contra simetrias e ideias pré concebidas de conceitos (ou preconceitos, como gostam de lhes chamar). Os conceitos são o que fazemos deles. Seja o de beleza, seja o de inteligência, seja o da forma física, seja o do humor, seja outro qualquer.

   Costumo dizer que embora sejamos todos diferentes, é na diferença que está a riqueza. E julgar os outros é quase como que uma atitude de ignorância face à diversidade.

   Escrevo aquilo que me vai na alma, muitas vezes com uma impulsividade subjacente que funciona como um completo improviso de ideias e premissas. Mais uma vez, também na escrita não ambiciono a perfeição ou a aceitação geral. Fico contente quando elogiam os meus manuscritos e tecnoescritos, ficando ainda mais feliz quando me fazem críticas construtivas que me permitem melhorar.

   Quando congelei a matrícula de medicina com média de 15, muita gente se perguntou que espécie de louca era eu. Pois bem, era a mesma louca que passado um ano voltou ao curso ainda com mais força e vontade de aprender (ainda que ainda esteja menos interessada do que antes em revelar isso nas minhas notas). É preciso coragem, dizem muitos. Na minha cabeça, foi só preciso respeitar-me a mim e ao meu timming. Porque como já sabem, antes de tudo o resto, temos que sentir-os bem connosco e com a vida que levamos.

   Sinto que cresci tanto neste último ano que tamanho crescimento não cabe em nenhum post. Vou tentando transmitir em vários, aquilo que fez de mim o que sou hoje. E sou tão abençoada por tudo o que tenho que às vezes parece que não há palavras.

   Cresci sem pai, mas tenho uma mãe, uma irmã e umas tias incríveis. Tenho uma família pequena em número de elementos do agregado familiar mas grande na medida da grandeza de cada um dos seus constituintes.

   Tenho os amigos que preciso comigo. Mesmo aqueles que estão a muitos km de distância (como a Beni!), estão sempre comigo. Quando era mais nova gostava de agradar a toda a gente. Hoje sou verdadeiramente feliz a tentar agradar só a um grupo restrito de pessoas a quais chamo amigos. E eles ensinam-me muito. Várias pessoas vão passando pela nossa vida mas são poucas as que fazemos um esforço por manter na mesma. Quando o esforço é mútuo, vale sempre a pena lutar pelas amizades (mesmo a km de distância, novamente!).

   Defino periodicamente o meu projeto de vida consoante os meus sonhos e ambições. 

    A única certeza que tenho é que para o ano vou de erasmus para Praga e vou conhecer toda a europa que ainda desconheço naqueles santos 10 meses. Espero, vou fazer por isso e acho que vai ser o melhor ano da minha vida! 

    Depois disso, o estágio de 6°ano e a tese. Como já tenho a tese mais ao menos encaminhada para começar e é numa área que adoro, essa parte vai ser (espero!) tranquila.

    E depois? Um exame de especialidade. Fico cá? Não fico? Vai depender da nota do exame? Quero fazer o doutoramento no estrangeiro? Quero tirar a dupla licenciatura de direito e gestão a seguir? Quero fazer o exame da ordem e ser mesmo advogada pro bono nas horas vagas? Quero continuar envolvida na vida política dos órgãos de poder local nos quais estou de momento? Quero fazer um ano de médicos sem fronteiras? Quero trabalhar em saúde pública e trabalhar em programas de prevenção? MGF e seguir os meus doentes toda a vida? Psiquiatria e a mudança de paradigma na saúde mental? 

     São tantas as possibilidades que eu temo falhar por, mais uma vez, ser certa na incerteza e confusa na confusão, talvez por ser excelente a idealizar e péssima a executar. Mas de que adianta planear, quando tudo vai depender de tantos e tantos fatores? Mais vale termos não só um plano A como também um B, um C e claro, um D de Diana. Se nos sentirmos confortáveis com os prós e os contras de todos eles, não há nada a temer. Só temos que garantir que algumas metas sejam efetivamente atingidas sem que isso tenha que nos comprometer o corpo e mente. 

   Porque antes de tudo, temos que ser felizes. Pobres ou ricos. Magros ou gordos. Reconhecidos ou não. 

   Eu gosto muito de viver e de toda esta dicotomia entre sonhar acordada e fazer as coisas acontecerem. No auge da minha juventude e quase a fazer 23, estou feliz com a minha vida e não pedia mais nada.


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