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Porto, 13 de abril, 19h

 

      São sete da tarde, saio do trabalho em Campanhã e corro para a Praça da Corujeira, onde está o meu chefe de equipa da Boîte. Está numa barbearia a cortar o cabelo. Tenho que ir ter com ele para ir buscar o dinheiro da última festa. Trabalhei bem (ou excelente até) a pensar na viagem e meti 70 e tal pessoas pela minha guest... A juntar aos privados... Consegui tirar mais de 100€ numa noite, o que deu um jeitaço para seguir para Roma com folga na carteira. 

 

      (Se neste momento estiverem a perguntar a vocês mesmos porquê que ainda não trabalham na noite, aviso que um dia não são dias e que a grande oportunidade desse dia foi a dificuldade de andar à chuva a angariar clientes - fui a única RP que o fiz {ou que vi a fazer}, daí os bons resultados em comparação com outras festas em que, em virtude do bom clima, andamos {diga-se, RP'} sete cães a um osso na zona da adega e piolho a angariar mais pessoas)

 

      O metro atrasa-se, o passo é curto e ando com a mala atrás mas chego. Tenho voo às 21h, com a porta de embarque a fechar às 20h30. São 19h30 e ainda estou nas Antas. Calculo, de cabeça, que não chegarei a tempo se for de metro. Chamo o uber. Motorista simpático (como são quase sempre), acalma-me.

      Chego ao aeroporto às 20h10, entro nas portas de embarque às 20h15. Desço e olho para os ecrãs de partidas às 20h20. Voo para Madrid às 21h30? Porta 31, correto. Corro. Chego. Olho. Tap? O meu voo é da Iberia! Volto atrás, reparo, com pressa, que havia 2 voos à mesma hora para o mesmo sitio. Porta 17. Sim, do lado oposto do aeroporto. Corro. Desço. Chego. Olho. Ryanair?

 

(Valha-me nosso senhor e todos os santinhos e rezinhas)

 

      São 21h30. Sim... Volto aos ecrãs. Qual a probabilidade de, no mesmo dia, à mesma hora, 3 voos que partem do mesmo sitio para o mesmo destino à mesma hora? Parece que é alta... porta 32, sim, mesmo ao lado de onde parei na primeira vez. No meio do azar da sexta-feira treze, tive sorte e consegui apanhar a fila a acabar quando cheguei, às 21h40. Respiro e transpiro de alívio, com a sede e o cansaço de quem correu a milha dentro do aeroporto.

      Entro no avião às 20h40 e escrevo o texto 13# do blog. 

 

Madrid, 13 de abril, 22h30

      Chego. Em madrid, já é quase dia 14. McDonald's, a minha primeira refeição nas férias. Isto promete... Menu saudável, com sopinha e palitos de cenoura. Calculo fome em breve. Guardamos as malas no aeroporto. São 24h locais quando saimos para o metro.

      Às 00h30 no centro de Madrid. Bebemos uns finos ilegais no meio da rua. Fomos felizes a escondê-los. Roubo gomas perdidas num café. Vejo no relógio 1h30 quando chegamos à discoteca Teatro Kapital. Tínhamos voo às 7h. São apenas umas horas a dançar. Somos felizes a cantar no piso do karaoke e a conhecer os diferentes 7 pisos daquele edifício incrível.

      Sol (ou lua) de pouca dura... E para provar que depois de uma sexta treze vem um sábado muito pior, roubam-me o telemóvel sem eu dar conta enquanto danço. Não tinha bebido. Estava sóbria e fui roubada por profissionais do "gamanço" enquanto dançava.

      ("Porreiro pah". O que mais queria era ficar sem telemóvel no primeiro dia de férias...)

      Respiro fundo. Podia ser pior. Podia ser a carteira com documentos. Ficava retida até o consolado me ajudar a sair. Podiam-me ter feito mal. No meio do azar, tive sorte.

      São 5 da manhã e esforços feitos e refeitos para encontrar a ladroagem que entretanto roubou também outras pessoas, em vão, desisto e vamos para a camioneta que nos leva de volta ao aeroporto. Esta escala saiu cara demais para uma pobre fazendo pobrice como eu... O lado positivo é que agora já não tens nada tão valioso para te roubarem, de maneira que o resto da viagem se prevê tranquila... Mas sem selfies...

 

Roma, 11h, 14 de abril

      Chegamos. Não há selfie de chegada nem houve texto da praxe na viagem de avião. Decidi antes aproveitar para dormir. Assim como no transfer. Hotel pousar malas. Passear...

    Dou-me conta de que preciso das minhas próprias fotos. Surge a ideia de uma câmara descartável, old school. Será que ainda as vendem? Procuro em vários indianos/lojas de rua. Nada. Só digitais de dezenas de euros. Só encontrei ao fim de uma hora, numa loja de fotografia. Foram 10€ por uma câmara com 27 fotos, sendo que revelá-las não vai ficar barato, uma vez que são poucos os que ainda o fazem. Paciência, ao menos já tenho maneira de tirar as minhas próprias recordações aos detalhes incríveis que vejo. 

      Passeio sem telemóvel, sem fotografar tudo (já que tinha poucas fotos!) e a admirar a beleza natural do que me rodeava. Dou-me conta de que adoro esta cidade. Dou-me conta que consigo #ser feliz# apesar do roubo e da falta de ligação virtual aos outros. 

        Reapaixono-me pelo coliseu, pela vila romana, pelos edifícios envolventes. Pela ligação entre a arquitectura de há milhares de anos atrás e outra mais contemporânea. Pela luz da cidade. Pela história que respira e transpira... (Sou feliz!)

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Roma, 15 de abril, 11h

   Segundo dia mais bem aproveitado? Mais km, mais cansaço. Tudo continua bonito. Memorável. Inesquecível. Objetivo no Vaticano: dançar "a única da igreja que gosta de esfrega esfrega" em cima do muro dos fieis. Sacrilégio? Não... Felicidade.

      Conheço pessoas interessantes e locais ainda mais belos. Fontana di Trevi. Romântico ver os casais que se beijam enquanto atiram moedas para lá, provavelmente com juras de amor. Praça de Espanha, Vila Medici. Topo das escadas, provavelmente a minha paisagem favorita desta viagem. O céu também está lindo. (Sou feliz!)

      Paramos num Irish Pub para jantar e ver o clássico. Falo com um casal de canadianos simpáticos em segunda lua de mel. Noto bastante cumplicidade entre eles. Ela conta-me a história deles: conheceram-se ainda em crianças e ela tinha toda aquela paixão platónica por ele, provavelmente o seu primeiro amor. Ele mudou de estado no nono ano. Estiveram 20 anos sem se verem. Voltam a reencontrar-se, já adultos. O clique dá-se novamente. Ambos são solteiros e parece que estiveram toda a vida à espera um do outro. Amam-se. É o timing certo para ambos, diz-me ela. "It's all about timing", acrescenta. (Sou feliz!)

 

      (Concordo! Podes já ter conhecido o amor da tua vida no timing errado! Não procures. Espera. Quando o timing se alinhar para os dois, se ele for o ideal, ele aparece. Acredita. E no entretanto, sê feliz contigo mesmo antes de quereres ser feliz com alguém. Só assim podes ter a certeza que estás pronto. Quando estás completo e realizado e vais completar, com a tua felicidade, a vida de outro alguém que também já é feliz por si só e também só vai ser completado. Como duas peças de um puzzle de apenas 2. Em que ambas são bonitas em separado, mas ainda mais bonitas em conjunto.)

 

      Saltamos a conta no Irish Pub, enquanto vimos o Porto a ganhar ao Benfica. Podia pedir mais? Sou feliz. Independentemente do roubo. Porque o meu clube venceu o clássico e porque Roma ainda me parece mais bonita à noite... Principalmente quando vês com olhos de ver e não andas agarrado a equipamentos electrónicos. Afinal, a dificuldade revelou-se uma oportunidade...

      (E sou feliz ao perceber.)

 

Madrid, 16 de abril

      Voo para o Porto. Sem telemóvel e num avião sozinha, tive que pedir um emprestado a um rapaz búlgaro que conheço na sala de espera. Ele estava com um amigo. Converso com os dois. Simpáticos e amorosos, contam-me que nasceram na Bulgária, moram em Itália e estão neste voo porque vão fazer intercâmbio nas Canárias. Penso como o mundo global nos permite todo um conhecimento de pessoas e culturas incrível. Ficamos amigos de aeroporto, de avião. (Sou feliz!)

        No avião fico ao lado de um casal venezuelano com um bébe amoroso de sensivelmente 1 ano. Ele chora. Volta a chorar. Tinha sono mas não conseguia adormecer no colo da mãe, na sua rectidão implicada pela falta de curvatura das cadeiras. Rodo pragas a quem fez estes aviões sem pensar nas pessoas com crianças ao colo. Dificuldade criada, a de conseguur dormir também com o choro mesmo ao lado. Falo com os pais, em inglês e tentativa de espanhol. Funciona.

      Conto-lhes a famosa teoria acerca do choro dos bebés: querem dizer que nos amam sem saberem como. Mas amam tanto que berram, choram e esperneiam por não conseguirem transmitir na nossa língua. Quando nos apercebemos que o choro é esse ato de amor numa outra língua, passamos a ter mais paciência. E somos felizes com o choro. Calculo ainda que vou ser uma excelente mãe por pensar deste modo. Vejo a Senhora a dar carinho ao filho de um outro modo depois desta conversa. Ele finalmente acalma. (Sou feliz!)

       Em cada dificuldade, uma nova oportunidade. De conhecer, de aprender, de relembrar. Olhar para o lado positivo de tudo o que de mal nos acontece faz-nos ser felizes. Desvalorizar, perdoar o passado, aproveitar o presente e construir um futuro. Porque "o que lá vai, lá vai". E o importante é aprendermos com tudo o que nos acontece.

      (Sou feliz!)

 

 

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