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25
Abr18

5# pobre de mim que não vivi abril

por @dianacarvalhopereira

     

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     Sentada na praça da constituição de 1976, contemplo as bandeiras vermelhas e verdes geometricamente separadas e colocadas nos parapeitos das janelas da Assembleia da República. Hoje comemora-se o Dia da Liberdade, 25 de abril, um feriado nacional que a meu ver é dos mais importantes. São poucas as pessoas da minha geração que efetivamente lhe dão valor e é compreensível, uma vez que não viveram nem entendem os ideais de abril. Não sou melhor que eles nem mais entendida, sou simplesmente sensível a tudo o que outrora ouvi ou li acerca da ditadura, de Salazar, da PIDE ou de Portugal antes da Revolução. Sensível ao ponto de me sentir empática com todos os que efetivamente sentiram na pele tudo isso (e quiça mais).
Sou uma mulher jovem de classe média baixa. Estudo, trabalho, gosto de decotes e calções curtos e faço tatuagens como se de um vício se tratasse. Sou refilona, diria até regateira. Alma de sindicalista, alma insatisfeita de quem acima de tudo vê tudo o que há para melhorar e acredita que a mudança é sempre possível. Alma de quem sofre com as injustiças do mundo e acredita num melhor.


     Antes do 25 de abril provavelmente estaria presa. Soterrada. Ou, se porventura os meus familiares me tivessem colocado uns travões desde cedo (dada a época), estaria casada, com uma carrada de filhos, infeliz pela rotina, pela miséria, pelo analfabetismo e sem a possibilidade de dar a minha opinião acerca de tudo isso.
Quando ouço pessoas a defender Salazar, sinto-me quase como que ameaçada na minha liberdade. Porque acho que o Estado deve, acima de tudo, trabalhar para que se promova a felicidade do povo. A qualidade de vida. Que não se consegue apenas com prosperidade económica ou contas em ordem. Daí a existência da revolução dos cravos. Belo cravos que simbolizaram a força e a beleza da liberdade.

     Sou menos feliz quando penso que nem todos os povos podem ser livres como o nosso. Sou menos feliz quando penso na desigualdade de oportunidades associada ao sítio onde nascemos e vivemos, quando para mim todo o mundo deveria ser justo e equilibrado. E em todo ele se deveria lutar pela liberdade como os nossos pais e avós lutaram. E é o nosso dever enquanto cidadãos do mundo promover essa possibilidade.
Sou apaixonada por este dia e feliz por ter nascido num país em que posso vestir tops decotados e calções curtos em dias quentes enquanto digo tudo aquilo que penso, sem filtros.


     Sem querer julgar o todo pela parte ou a parte pelo todo, para mim a liberdade é quase como que sinónimo de promoção de felicidade.

     Viva a este dia tão bonito! Viva a quem lutou pela nossa liberdade! Viva aos cravos! Viva a abril! Viva aos militares. Viva à democracia. Viva a Portugal!

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